Insights AGR: As plataformas de Negócio se Consolidam no Varejo

Uma discussão na Wharton Business School

 

Por Ana Paula Tozzi

 

Estou aqui em Wharton, com uma inesperada tempestade de neve nesse primeiro dia de primavera, para 4 dias de aprendizado com um querido cliente da AGR. Com viés mais acadêmico, essa viagem coloca varejistas e professores internacionais para discutir tendências, inovação e o consumidor em sua essência. Nosso papel como consultoria será o de “tangibilizar” as discussões para a nossa realidade. Como costumo dizer: “trazer a valor presente” o futuro que imaginamos!

Lembram que no início do ano conversamos sobre o fato do varejo não falar mais em on-line e off-line: UM varejo ÚNICO para um CONSUMIDOR MULTIDIMENSIONAL? Some-se a esse cenário o foco no consumidor como o centro das decisões e temos o tema do Debate: The New Customer Centricity!

Como se colocar no lugar do consumidor e manter-se alinhado às tendências ao mesmo tempo?

A Formula é praticar a OTS  (Operações Tradicionais elevada à Startup potência!)

Tradicional e número um varejo americano, o Walmart vem lutando por manter sua liderança. Em Atlanta, Estados Unidos, o gigante varejista vem testando uma parceria com o aplicativo Handy com sucesso e agora planeja expandir para mais de 2mil lojas. O aplicativo une diversos profissionais liberais – encanadores, pintores, instaladores etc – e pode agregar valor à venda de eletros e moveis, entre outros produtos, uma facilidade adicional ao cliente. A Ideia é conquistar os consumidores com a conveniência, forte tendência para os próximos anos e tema já abordado em outro papo jedi (Leia Aqui).

A Amazon está expandindo os serviços domésticos oferecidos para inclusive “passeador de cachorros” e encanadores. A Ikea, loja de moveis e decoração, cujos produtos em sua maioria exigem montagem, comprou a TaskRabbit outra plataforma de profissionais liberais.

A Task Rabbit foi fundada a menos de 10 anos e já conta com mais de 50mil profissionais que podem ajudar desde os pequenos consertos em casa até no processo de empacotar e arrumar a sua mudança. A Handy por sua vez nasceu como uma plataforma para conectar duas pontas: o prestador de serviço ao consumidor. Agora passa a orquestrar a relação entre varejista X profissional liberal X consumidor final.

A conveniência nascida nos aplicativos destas startups passou a ser vista pelo varejo como um elo importante na otimização da experiência de compra, somando-se claro às dimensões das ofertas customizadas, das modalidades de venda e de entrega.

Assim como a ICA, supermercado gigante da Suécia com mais de 1300 lojas e 7 mil funcionários, se uniu a Postnord, empresa de logística, e ao aplicativo Glue, startup que desenvolveu maçanetas residenciais inteligentes, para criar a incrível experiência de entrega das compras refrigeradas dentro da sua geladeira, a Amazon corre para oferecer a mesma experiência.

A Amazon comprou a startup Ring, aplicativo que que conecta a campainha da sua casa, com imagens e voz. Em seguida, lançou o serviço Key para entrega dentro do lar. Esse serviço conta com fechaduras de portas conectadas à web e a câmeras de segurança e ao aplicativo Ring. O objetivo? Resolver o problema da compra de itens frescos que não podem ficar sem a refrigeração. Uma das maiores barreiras colocada pelos consumidores quando fazem compras de mantimentos online.

Enfim, posso ficar parágrafos e parágrafos falando sobre experiências que deram certo, outras que nem tanto, mas todas em busca a resolver os principais incômodos dos consumidores ou com a finalidade em inovar a experiência.

Unir a criatividade e ousadias das startups com a gestão e senioridade das empresas “tradicionais” tem sido um excelente caminho para o futuro das empresas. Abrir-se para novas experiências, parcerias e conexões certamente tirará a sua empresa da zona de conforto, ou seria zona de risco?

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