Papo Jedi: Grab & Go no Brasil: comida para levar…

Por Rafaela Natal  

A terminologia do conceito “Grab & Go” (pegue e vá) está cada vez mais presente no vocabulário dos consumidores brasileiros, principalmente dos mais “antenados”.O mercado de alimentação fora do lar dos Estados Unidos e Europa já adotaram essa prática há um bom tempo e o conceito por aqui ainda mostra que está em desenvolvimento.

O consumo de alimentos saudáveis no Brasil cresceu a uma taxa média de 12,3% ao ano nos últimos 5 anos, enquanto no restante do mundo esse crescimento foi de 8% ao ano. A expectativa é de que o mercado brasileiro cresça a taxas médias de 4,4% ao ano até 2021 de acordo com o instituto Euromonitor.

Esse sistema de oferecimento de refeições prontas, embaladas e dispostas em um ambiente onde o cliente possa simplesmente pegar o que quer, pagar e sair, vem ganhando força em nosso país, acompanhando a crescente demanda por comida e bebida frescas e que sejam fáceis de consumir, seja para levar para casa, consumir no próprio local, no carro, no trabalho ou até mesmo caminhando.

O cotidiano das metrópoles é um dos fatores impulsionadores para o consumo de Grab & Go.  Desde que o cenário do setor de Food Service começou a mudar a cerca de uma década, com o advento das redes sociais, podemos observar o crescimento de comunidades de consumidores sedentos por informação, inovação e engajados com a ideia de vida mais saudável e com mais praticidade. A entrada no mercado dos millenialls também vem contribuindo com a mudança dos hábitos de consumo de alimentos e a indústria de alimentos está sentindo essas mudanças, passando por uma enorme transformação atualmente.

O hábito das refeições demoradas, deixou de ser um “ritual” em alguns momentos de consumo da jornada do consumidor e, passou a ter menos significância devido à escassez de tempo do consumidor. Agora mais do que nunca, o consumidor quer pegar, pagar e levar, sem perder seu bem mais precioso: tempo!

Apesar de estar mais exigente, a crise econômica ensinou esse “novo” consumidor brasileiro a procurar alternativas que lhe permitissem fazer mais com menos. Segundo pesquisa da FIESP “A Mesa dos Brasileiros”, o quesito preço passou a ser um driver importante na tomada de decisão do consumidor nos últimos anos. Conforme detectado na pesquisa, sete em cada 10 consumidores entrevistados na pesquisa disseram ter mudado os hábitos na compra e consumo de produtos devido à crise, buscando promoções e pechinchando mais.

Muitas vezes, as estações de “Grab & Go” estão ligadas à oferta de produtos saudáveis, mas na realidade trata-se de uma categoria de atendimento, onde o consumidor passa pela experiência de autosserviço. Sendo assim, os estabelecimentos podem ou não explorar o mercado de saudabilidade tão discutido nos últimos anos, porém, como a demanda por alimentação saudável deverá crescer acima da média, essa categoria certamente estará presente nos pontos de venda cada vez mais.

Os estabelecimentos precisam se planejar para entregar uma experiência surpreendente aos seus consumidores. Mas como podemos preparar as operações para o conceito “Grab & Go” ser bem explorado? Confira 10 dicas para quem quer investir ou aprimorar ainda mais a gestão do negócio:

1)Escolha embalagens e descartáveis adequados, funcionais e bonitos

2)Acerte a dose na escolha do mix de produtos de acordo com o day part e público alvo

3)Busque um ponto comercial aderente à operação e ao fluxo de clientes

4)Ajuste o layout e o fluxo

5)Invista em expositores de qualidade, com adequada manutenção da cadeia de frio e atrativos

6)Elabore materiais de comunicação conversíveis de acordo com o momento de consumo (café da manhã/ almoço/ snack/ jantar)

7)Desenhe e garanta a correta execução do planograma. Mantenha-o bem abastecido, colorido e atrativo!

8)Faça a gestão da demanda

9)Aplique o sistema “PVPS” (Primeiro que Vence é o Primeiro que Sai) para evitar perdas e não correr o risco de vender produtos vencidos aos consumidores

10)Garanta a qualidade e padronização de produtos sempre!

O conceito “Grab & Go” somado a um portfólio bem selecionado de alimentos e bebidas, formam uma dupla perfeita que pode contribuir muito com o desenvolvimento do setor no varejo alimentar brasileiro.  

O mercado de alimentação fora do lar ainda é um grande mercado a ser explorado, com enorme potencial e carente de mais investimentos. A atualização deve ser rápida para o mercado acompanhar as necessidades do consumidor que busca incessantemente produtos inovadores, práticos, com boa relação custo/ benefício e que, acima de tudo seja saboroso.

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