Empresas iniciam desmonte de apostas em alta do dólar

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A alta do dólar nos meses de agosto e setembro fez o estoque de derivativos cambiais disparar no Balcão Organizado de Ativos e Derivativos (Cetip) nos últimos três meses. "Mas agora com a tendência de baixa da moeda americana, os investidores correm para desmontar posições", observa o analista de câmbio da B&T; Corretora, Marcos Traboti.

Na visão dele, quem comprou dólar ou derivativo cambial a R$ 1,93 ou R$ 1,94 está perdendo dinheiro no momento. "Mas ainda há dúvidas sobre o mercado lá fora que alimentam a proteção em moeda estrangeira", argumenta.

Traboti lembrou dos riscos de desaceleração econômica na China, que exporta muito para a Europa e os Estados Unidos. "No quadro atual, a tendência do dólar é de queda, mas os riscos ainda permanecem", alerta o analista.

De acordo com dados da Cetip, de 1° de julho até 14 de outubro, o estoque de contratos de termo de moedas sem entrega física cresceu 25,75%, de R$ 101,19 bilhões para R$ 127,26 bilhões. Mas de 3 de outubro para a última sexta-feira, o recuo de posições já foi de 10,89%. Neste curto espaço de tempo, de apenas 15 dias, o valor da moeda americana caiu 8% e ficou cotada a R$ 1,73.

"Não necessariamente o investidor perdeu dinheiro com o dólar", contra argumenta o diretor de Rrenda Fixa e Derivativos da Fator Administração de Recursos (FAR), Damont Carvalho.
 

O diretor explicou que muitos investidores podem ter aproveitado os leilões de swap cambial do Banco Central para zerar posições vendidas, remeter lucros e dividendos ou ainda, que importadores obtiveram liquidez no momento em que precisavam.

"As restrições com IOF fizeram que os investidores estrangeiros de curto prazo diminuíssem suas posições no Brasil", lembrou Damont Carvalho.

Independente do prejuízo ou do lucro para os investidores, o fato é que algumas operações como os contratos de termo de moeda em dólar de 186 a 366 dias sem entrega física chegaram a crescer 87,22% nos últimos três meses, de R$ 13,44 bilhões para R$ 25,16 bilhões até 14 de outubro.
 

No segmento de swap, as diferentes categorias de trocas de remuneração registraram crescimento de 31,18% no estoque da Cetip, de R$ 220 bilhões para R$ 288,61 bilhões até 14 de outubro. Mas com a ressalva de que em 3 de outubro, as posições estavam montadas em R$ 321,96 bilhões, portanto, com recuo de 10,3% desde o início do mês. Na opinião de Traboti, o importante é que o mercado de dólar voltou ao movimento normal nas últimas semanas. "Não é a cotação mais desejada pelos exportadores e Banco Central que seria mais próxima de R$ 1,80 mas o mercado está líquido", avaliou.

Carvalho também apontou uma condição melhor no atual momento. "Quem ganhou com essa oscilação para cima foram os exportadores que aproveitaram para vender dólares num bom preço", avaliou sobre as oportunidades de agosto e setembro.

Multimercados

A alta rápida do dólar nos meses anteriores também fez a rentabilidade da categoria juros e moedas dos fundos multimercados alcançar 9,89% em 2011 até o dia 7 de outubro, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima).

"A rentabilidade passada não promete rentabilidade futura", adverte Carvalho, da FAR.
 

Além da alta pontual do dólar, ele contou que muitos investidores ganharam dinheiro com a redução dos juros básicos pelo Banco Central na última reunião do Copom. Ele citou o fundo Fator Hedge Absoluto que obteve 381% da taxa do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) em agosto e 292% em setembro. "Esse fundo se aproveitou de posições pré-fixadas em juros. A rentabilidade no ano é de 110% do CDI", explicou Carvalho.

Ele ainda citou com exemplo outro fundo, o Fator Hedge que obteve 157% do CDI em agosto e 199% do CDI em setembro. Carvalho detalhou que a carteira é composta por títulos públicos federais pré-fixados, pós-fixados e indexados à inflação com uma parcela de menos de 5% em ações. "É uma carteira que não pode operar crédito", afirmou o diretor de Renda Fixa da FAR.

 

Fonte : DCI - Ernani Fagundes

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