As organizações precisam amadurecer suas escolhas



Por Jessica Costa

Nas últimas décadas, com a velocidade das mudanças, a tecnologia cada vez mais acessível e com um mundo de informações disponíveis a poucos cliques, muitas organizações se viram pressionadas a seguir cartilhas de tendências ou modismos que acabaram por restringir seu caminho para o amadurecimento.

Uma hora o e-commerce ia dominar o mundo e as lojas físicas deixariam de existir, outra hora o e-commerce sem o multicanal não decolaria. Depois, os consumidores precisariam ter experiência na loja física. Em um artigo, ganha quem tiver o menor preço, afinal estamos em crise. Em outro artigo, o preço é secundário, pois o consumidor quer valor agregado, customização e serviço. Uma hora o futuro será dos millennials, outra hora será dos consumidores da melhor idade. E assim criou-se uma confusão de cenários e tendências.

De fato, novas formas de consumo e serviços surgiram. A economia compartilhada, por exemplo, veio para ficar.  Aqui no Brasil as iniciativas ainda são embrionárias e com velocidade bastante reduzida, graças ao modelo fiscal e tributário do nosso país. Em outros países, as parcerias entre empresas estão indo muito além do que poderíamos imaginar. Exploraremos isso em outro artigo. Mas esse modelo operacional vai decolar, pelo simples fato de trazer muita economia e eficiência. Então, porque tantas e tantas empresas não fazem a lição de casa e ficam prontas para aproveitar o momento adequado? Provavelmente porque se perderam com tanta velocidade e iniciativas distintas.

Tenho encontrado muita confusão no mundo corporativo: vejo líderes com visões distintas sobre o futuro da mesma empresa, indicadores de controle conflitivos, indicadores de gestão rasos ou insuficientes. É frequente o desejo de “aumentar a conversão de vendas direcionando melhor as campanhas ”, mas com pouco conhecimento sobre o cliente ou sobre sua forma de consumo. Também é frequente querer reduzir despesas, sem saber exatamente com o que se gasta. As empresas querem reduzir headcount mas não querem visitar e mudar seus processos. Também não querem “gastar” com tecnologia.

O fato é que todas essas tendências “obrigatórias” dos últimos anos levaram muitas empresas a cenários desencontrados. Muitas perderam seu rumo, sua identidade. Implantaram uma série de iniciativas, mas não as amadureceram e não sabem o que fazer com tanta informação gerada. Para piorar o cenário, as tecnologias continuam atropelando os negócios. Um exemplo: agora já não importa apenas a quantidade de likes nas mídias digitais, mas sim a qualidade deles. A conclusão é óbvia. Se você ainda está tentando medir essa quantidade, certamente está atrasado para medir a sua qualidade.

E não vai parar tão cedo… o compartilhamento de operações virá com tudo. A coopetição* vai crescer e fazer cada vez mais sentido. As soluções para análise das informações ficarão cada vez melhores. A internet das coisas também chegou para ficar e já traz eficiência em diversos setores.

O fundamental para alavancar as oportunidades é ter o básico bem feito e saber seguir o rumo. Estar pronto para as mudanças, mas com a essência disseminada e solidificada. Caso contrário, seguramente não haverá retorno do investimento. Os dados não serão nada além de dados.

Não se envergonhe em começar pelo básico. Normalmente é lá que reside boa parte dos seus problemas e das oportunidades.

*Coopetição: competição com cooperação. Significa trabalhar em conjunto com os concorrentes de forma beneficiar e potencializar suas capacidades.