Como assim a Amazon abrirá a 10ª loja?



15/03/2017

Por Ana Paula Tozzi

Quando abriu a primeira loja em 2015 a Amazon surpreendeu muita gente. As primeiras especulações conspiravam que a empresa investiria em poucas lojas, como um showroom da marca. Em seguida boatos davam conta de 400 lojas. Agora vemos a perspectiva da empresa conquistar em 2017 sua décima loja com a abertura em Seattle, prevista para o segundo semestre.

A empresa acusada de responsável por “arruinar” o negócio das livrarias tradicionais está migrando para o negocio tradicional? Calma, não é bem assim… na verdade podemos dizer que trouxe boas revoluções para o mercado tradicional, ou mesmo, por que não dizer que vem rejuvenescendo um envelhecido modelo de negócio? Vejamos.

Há apenas 4 anos atrás, em 2013 quando tinha 689 lojas, a Barnes & Nobles anunciara a previsão de fechar um terço de suas lojas até 2023. Algo importante mudou de maneira que hoje a empresa tem 640 lojas e anunciou a abertura de 4 novas e o fechamento de 8 ainda em 2017. Apesar dos resultados ruins das vendas do último natal, ainda assim a empresa está muito longe das projeções catastróficas de 2013. A empresa fechou 2016 com crescimento de vendas nas mesmas lojas e com pequena queda de vendas no total.

Na tentativa de inovar e trazer o cliente para uma nova experiência na loja, a Barnes & Nobles desenvolveu um novo projeto de restaurantes, isso mesmo restaurantes! Esses estarão presente em algumas lojas, inclusive servindo bebidas alcoólicas. Além disso, está investindo em áreas onde o consumidor pode experimentar produtos e permanecer por mais tempo dentro da loja.

Na mesma direção as lojas da Amazon são hoje zonas de experimentação de produtos: além dos livros, aparelhos como ECHO e KINDLE estão disponíveis para experimentar, usar, brincar e assim despertar o desejo pela compra. Também, acessórios para eletrônicos da linha Amazon Basics (marca de itens do dia-a-dia, como fio de carregar celular, caixinhas de som, etc) e pequenos eletro-portáteis na sessão de livros de cozinha podem ser encontrados de forma divertida e descontraída.

A convergência entre o mundo digital e a experiência da loja física é tão transparente para o consumidor que especula-se inclusive se essas lojas utilizarão em breve a mesma tecnologia da Amazon Go: comprar e sair sem ter que passar no caixa.

Muitas lições são aprendidas nos momentos mais difíceis. Na crise, na doença, na dificuldade. Parar nesse momento e questionar o nosso modelo de negócio precisa estar apoiado por metodologia, novas ideias e muita cabeça aberta. Temos encontrado empresas com vontade de mudar, mas outras não. Infelizmente essas últimas talvez vivam o “efeito Kodak” e não estejam vivas em poucos anos.