Orçamento base zero no capital de giro



Em momentos de crise econômica, moral e ética como o que enfrentamos, diversas ferramentas importantes estão sendo utilizadas pelas empresas para sobreviver ou para emergirem mais fortes.

Um método que vem sendo muito utilizado é a revisão de despesas de forma inteligente, otimizando gastos ao invés de cortar despesas indiscriminadamente. Esse método é chamado, entre outras formas, de Orçamento Base Zero, ou OBZ. Além de reduzir gastos, o OBZ deixa como legado uma nova forma de gestão.

Mas, o que mais podemos fazer?

Olhar para o capital de giro buscando eficiência também é um importante e relevante trabalho. Por vezes este tema é deixado de lado principalmente pela dificuldade em medir o capital de giro, dificuldade essa causada pela falta de controle e de indicadores. Esse tema definitivamente merece atenção.

O capital de giro é mais conhecido pelas contas de clientes, fornecedores e estoques, porém há uma série de contas que também fazem parte das operações da empresa e que acabam por consumir ou contribuir para ele, tais como: despesas trabalhistas, impostos, despesas com antecipação de fornecedores e antecipação de clientes, entre outros. Um planejamento inadequado de capital de giro ou análise incorreta de sua necessidade, pode levar empresas lucrativas a situações de dificuldade de caixa e/ou perda de rentabilidade.

Construir metas de capital de giro não é um trabalho fácil. Um bom planejamento necessita de um orçamento do Demonstrativo de Resultados no Exercício (DRE) e do fluxo de caixa. Para se ter um orçamento que considere todas as contas, são necessários controles que permitam calcular o planejamento de compras, produção, estoque, vendas, créditos e débitos de impostos, entre outros.

Existem dois caminhos principais dentro da eficiência de capital de giro. O primeiro é a negociação com fornecedores e clientes. Aqui vale saber trabalhar bem e criar indicadores de desempenho. O principal, porém, são os processos. Os processos que geram o capital de giro estão entrelaçados por várias áreas como vendas, estoques e compras, ressaltando a política de cada um deles.

O quão eficiente é o planejamento de compras? A empresa consegue analisar o custo de oportunidade de gerar estoques comprando com desconto versus o custo financeiro do tempo de giro destes estoques? Esse cálculo é simples, porém muitas vezes é subestimado. O mesmo vale para o planejamento de produção e o planejamento de vendas. Eles precisam ser assertivos, objetivos e acurados.  Se, por exemplo, as vendas ficam sempre abaixo do esperado, o plano de produção gera mais estoques. Um problema que não é simples de resolver quando uma empresa possui milhares de SKUs.

Vale também revisar eventuais problemas nos processos de contas a pagar e contas a receber. As empresas, às vezes, não sabem que pagam adiantado ou pior ainda, atrasado e com juros. Erros nos cadastros e falta de revisão de assertividade dos pagamentos são muito comuns.

Uma forma eficiente de analisar o capital de giro é atrelar todas as contas de capital de giro com custos financeiros. Ratear as despesas financeiras conforme os centros de custos de cada conta do capital é uma forma interessante de distribuir os custos financeiros para as atividades de vendas, compras e produção.

Outra armadilha muito comum está nas diretrizes de redução de custos e despesas em detrimento do aumento das despesas financeiras. Imagine que o gerente da sua indústria prefira realizar produções de grande escala, acumulando grandes estoques favorecendo a redução de custos com setup e parada de máquina.  Esse tipo de estratégia implica em aumentar estoques e, portanto, em aumento de capital de giro.

Tudo isto posto, seguramente uma profunda revisão na estratégia e no capital de giro tendem a trazer eficiência na gestão e mais oportunidade de crescimento e de fortalecimento do negócio.

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