RE-A-JA JÁ!



14/06/2017

Por Jessica Costa

Tenho acompanhado as discussões sobre o sucesso ou o insucesso do Uber, não por paixão a marca, mas quase por devoção ao modelo de negócio de compartilhamento que não tenho dúvida, só vai crescer.

No último dia 12/06 foi publicada uma extensa matéria na Financial Review que tinha como título “Uber turmoil is becoming a case study for everything wrong with the ‘unicorn’ economy“ – A turbulência do Uber se tornou o estudo de caso para qualquer coisa errada da economia de “unicórnio” (unicórnio é o sinônimo para empresas de tecnologias novatas avaliadas em mais de U$ 1 BI).

Recentemente li um artigo de Hamish Douglass, co-fundador do Magellan Financial Group em que ele conclui que o Uber tem 99% de chance de deixar de existir na próxima década.

Mesmo assim, o modelo de economia compartilhada ganha força, seja através do compartilhamento de carros, de casas, de músicas, até o compartilhamento de ativos, de mão de obra. E não vai parar por aí.

A economia compartilhada trará impactos ao mundo corporativo e as empresas precisam se adequar para este modelo.

Mas, se de um lado as mudanças estão acontecendo com uma velocidade assustadora, por outro lado me impressiono com as organizações que ainda não acenderam adequadamente o botão de emergência.

As demandas por mudanças são comprovadas por fatos e por dados. De forma geral, as receitas estão caindo, as despesas e custos estacionados ou crescendo, o ebitda ruim, a gestão de fluxo de caixa se tornou um drama. No Brasil, o lucro líquido das 1000 maiores empresas encolheu R$81 BI no último ano.

As novas formas de consumo ganhando espaço rapidamente e a “turma” demorando para reagir, para tomar decisões, para encarar os desafios. Estagnaram. Encontramos nas indefinições e na bagunça política a “muleta” que precisávamos: “não sabemos o que vai acontecer, melhor esperar”.

Enquanto isso as oportunidades vão passando e muitas são irrecuperáveis. O tempo é irrecuperável. No varejo é aquela venda perdida por ruptura que não volta mais. Na indústria o tal erro no desenvolvimento de produto resulta em um produto encalhado. No serviço, a concorrência que inovou mais que você e te deixou para trás.

Todos os dias surgem novas empresas digitais. Elas já nascem digitais! Isso por si só já é quase uma concorrência desleal quando comparado aos modelos de negócios predominantemente físicos, existente há décadas. O ritmo de mudanças é tão forte e rápido que elas não podem mais reagir às mudanças da mesma forma que faziam no passado. Precisam inovar rapidamente. Este é o desafio para a sobrevivência.

Internet das coisas é um fato, inteligência artificial é um fato, compartilhamento é um fato, extinção de serviços e de cargos é um fato, entre tantos outros.

Mesmo assim, tem muita gente demorando para “fazer” o que no fundo sabem que tem que ser feito.

As empresas tradicionais precisam ter senso de urgência para as decisões, encarar o novo, acertar as cadeiras, inovar, investir, buscar ajudar. Esse é o começo da chance de sobrevivência. Precisam estar prontas e atentas para as oportunidades e, seguramente o compartilhamento é uma delas.