Sustentabilidade. Isso ainda vai te dar dinheiro!



Por Giuliana Grinover

Nesta semana, a AGR participou da primeira reunião do Programa de Logística Verde Brasil (PLVB), iniciativa que tem como membros empresas e entidades de grande expressão com a Coca-Cola, Dow Químicos, Heineken, HP, Natura, Unilever, Coppe, Cefet e CNpQ. De acordo com os participantes, a ideia do PLVB nasceu a partir de uma oficina de trabalho realizada em setembro de 2015, convocada pelo Smart Freight Center (SFC), onde estiveram presentes empresas de vários setores para discutir o tema do frete sustentável.

O objetivo do programa é criar e aplicar conhecimentos que permitam buscar uma redução nas emissões de gases de efeito estufa e poluentes atmosféricos e também aprimorar a eficiência da logística e do transporte de carga no Brasil.

E por que grifamos o também? Iniciativas relacionadas à sustentabilidade, gestão climática, controle do footprint humano, estão presentes na agenda mundial há pelo menos 30 anos. Quem se lembra da Rio Eco 92? A Conferência de Estocolmo foi o primeiro grande evento realizado com esta temática, no longínquo ano de 1972. De lá pra cá temos visto diversos posicionamentos sobre o tema, indo desde os mais cataclísmicos (“se nada for feito o planeta vai afundar em menos de 50 anos”) até os mais indiferentes (“a mudança climática não tem nada a ver com a atividade humana”). Em comum, todos esses posicionamentos esbarram na falsa percepção de que o controle de emissões de carbono e outros poluentes é diretamente proporcional à redução da atividade econômica.

Esta semana, Donald Trump anunciou a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, protocolo de entendimentos sobre as metas do clima firmado em 2015 com mais de 175 signatários. Em suas próprias palavras, “O acordo na verdade é menos sobre o clima e mais sobre ganhar vantagem financeira [sobre os Estados Unidos]”.

Pois bem, o posicionamento proposto no PLVB é justamente buscar o máximo da eficiência, em que menos poluentes serão gerados para um mesmo nível de atividade econômica. E quanto mais eficiência, menor o custo e maior o lucro. Portanto, é dinheiro no bolso!

Para atingir as eficiências e as consequentes reduções de poluentes, o PLVB propõe que as ações sejam calcadas em tecnologia, medição e controle, comportamento e comparação de resultados.

Entendemos que este é o momento para nosso país e nossas indústrias saírem na frente e se prepararem para as iniciativas! Para isso, sugerimos avaliar alguns pontos:

  1. Frota de Veículos. De acordo com pesquisas, a frota no Brasil tem cerca de 20-25 anos. Será que é possível diminuir? A sua conta de manutenção está em níveis aceitáveis? Como viabilizar a utilização de veículos mais novos e mais modernos que se utilizam de tecnologia menos poluente? Utilizar veículos próprios ou alugados?
  1. Treinamento dos Condutores. Na China, condutores de veículos estão sendo treinados e já trouxeram significativas reduções nas contas de manutenção corretiva e preventiva nas frotas dessas empresas. Estes treinamentos levam redução no consumo de combustíveis, além de proteger quaisquer danos ao condutor, equipamento e carga;
  1. Compartilhamento de Frotas. Nem sempre os veículos transitam com sua capacidade total ocupada em nossas estradas, ruas e rodovias. Muitas empresas circulam em rotas com capacidade plena na ida e retorno vazio. Por que não estudar a possibilidade de compartilhar esses veículos e rotas com outras empresas? Nem todas as rotas e veículos irão possibilitar isso, mas se algum compartilhamento for possível, os custos de frete serão reduzidos e o meio ambiente agradece nossa contribuição. Mesmo os Operadores Logísticos podem sim, melhorar o uso de seus veículos e rotas com outros operadores, por que não?
  1. Uso de Diferentes Modais. Rotas muito distantes podem e devem ser estudadas para o uso de diferentes modais. Por exemplo, do Sudeste ao Nordeste, existem rotas com transporte marítimo que reduzem os custos, contribuem com a diminuição dos poluentes e, ainda, podem ter os mesmos níveis de serviço pactuados com nossos clientes. Por outro lado, sim, nossas ferrovias são restritas no Brasil. Dependem de investimentos e políticas governamentais. Temos que unir as forças representadas pelas indústrias e pressionar agora para que hajam esses investimentos e políticas!
  1. Uso de Tecnologia. Muitas ferramentas estão disponíveis no mercado para nos ajudar. Softwares e soluções para roteirizar cargas, ocupar melhor veículos, gerir terceiros e prestadores de serviço, calcular custos de armazenamento e movimentação, enfim, soluções de TMS (Transportation Management System), WMS (Warehouse Management System), CP (Capacity Planning), entre outras, existem para todos os setores e “bolsos”. Vale investir algum tempo conhecendo essas tecnologias e ver quais delas melhor se adaptam ao seu negócio.

Depois de mais de trinta anos debatendo as mudanças climáticas globais e buscando entender o a interferência causada pela atividade humana, temos a certeza que apenas a redução das atividades econômicas não será necessariamente a solução para o controle das emissões de poluentes e gases do efeito estufa.

Precisamos atuar para desacelerar a emissão de CO2 na atmosfera. Estamos trabalhando hoje com a meta estabelecida no Acordo de Paris para evitar o aumento de 2 ºC na temperatura média do planeta. A incansável busca pela eficiência é o primeiro passo.

Obrigada PLVB pela iniciativa e insights valiosos!