Walmart contra-ataca!



Por Ana Paula Tozzi

Nos últimos 15 anos, os investidores da Amazon obtiveram mais de 8.000% de retorno de investimento, dando um banho de rentabilidade nos concorrentes e na média das bolsas americanas. Na semana passada (21/7/2017), inclusive, o valor da companhia atingiu o incrível patamar de US$ 500 bilhões, fazendo com que seu fundador, Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo, mesmo que por algumas horas. Podemos considerar que a empresa e seu fundador vivem uma lua de mel.

Fundada em 1994, a Amazon nasceu com esse nome justamente para fazer referência à Amazônia, um local exótico e diferente e que abriga o maior rio do mundo, dando uma dimensão de onde Jeff queria chegar. Após pesquisar os itens que teriam maior atratividade na Internet, tais como computadores, CDs e livros, a Amazon escolheu nascer como um grande revendedor de livros. Com poucos meses já vendia mais de 100 mil livros mensais em mais de 45 países. Em 2001, já com mais categorias de produtos, atingiu US$1 bilhão de faturamento e seu primeiro lucro de US$5 milhões, provando que o modelo poderia dar resultados positivos.

Em 2015, a Amazon ultrapassou o Walmart como o maior varejista em valor dos Estados Unidos. Em 2017 atingiu o quarto lugar entre as companhias mais valiosas do mundo (ficando atrás de Apple, Alphabete e Microsoft), alcançando a liderança na receita em e-commerce com uma equipe de mais de 300 mil pessoas. Em dezembro de 2016, a empresa abriu a Amazon Go, em Seattle e já contava com cinco lojas físicas. Em termos de geração de valor para o acionista, trata-se de uma das maiores historia de sucesso das bolsas mundiais!

Uma história de fazer inveja até para o ultra recordista mundial de atletismo Usain Bolt…

Mas engana-se quem imagina que o Walmart não vem construindo e lançando bombas de reação por todos os lados.

Em junho de 2017 a empresa anunciou um quiosque automático para os clientes que fazem compras de comida online mas preferem retirar a mercadoria em uma loja física. São mais de 30 mil itens, disponíveis 24 horas por dia. O quiosque que vem sendo testado localiza-se no estacionamento de uma das lojas em Oklahoma. Uma clara reação ao Amazonfresh!

Walmart

Outra opção sendo testada em outras 5 lojas da rede é a pickup tower. Para outros tipos de mercadoria, parece uma vending machine gigante com capacidade para 300 ítens. O cliente se aproxima, a máquina reconhece o código de barras no celular e abre o deposito com as compras dele.

Muito além da tecnologia, o Walmart vem expandindo seu modelo de loja de vizinhança, com um quinto do tamanho da loja original, mas com as mesmas ofertas e um baixo custo estrutural. Com fácil acesso à mercadoria e espaço reduzido, o varejista mantém o foco em produtos de consumo (mercearia), farmácia e posto de gasolina. Com uma vasta seleção de produtos frescos, produtos locais e ofertas específicas de cada região, a loja aproxima-se dos produtores locais e da população. Estas lojas são base, obviamente, para a ampliação da oferta e entrega online! São pontos de coleta e até prováveis pontos de saída para entrega.

Neste ano de 2017, o Walmart está testando um programa de entrega de compras online utilizando a sua equipe de funcionários das lojas (mais de 1 milhão nos Estados Unidos) e as próprias lojas como ponto de partida. Hoje existem mais de 4.700 lojas Walmart no território norte americano. A ideia é cruzar o endereço e/ou itinerário dos funcionários que se candidatarem a essa receita extra com os pedidos que a empresa têm em sua base.

Ainda não está claro como serão as políticas de remuneração e as negociações com os ruídos do sindicato, que já tiveram início. Ainda assim, os testes acontecerão em três localidades nos Estados Unidos. Levantamentos de geo-localização identificam que 90% da população americana vive a pelo menos 16 km de um Walmart, o que significa que, se o projeto der certo, a empresa ganhará muita competitividade no last mile (a última milha de entrega como é conhecida no setor logístico) que é onde está o maior custo para se entregar os produtos na casa do consumidor.

O Walmart já deixou claro que está atento aos movimentos de mercado.

Será que a Amazon achou que teria um reinado tranquilo?