“Chief Growth Officer”: mais um modismo ou algo que veio para ficar?



Principalmente nos Estados Unidos, já é relativamente comum a figura do “Chief Growth Officer” (“CGO”), mais uma posição no topo das corporações, o chamado “C-level”. O “CGO” seria o equivalente a um Diretor de Crescimento, que já começa a aparecer aqui no Brasil também. A última empresa que eu vi anunciando a criação dessa posição foi a Kraft Heinz, uma gigante do mundo de bens de consumo. Mas será apenas mais um modismo das empresas ou essa posição veio para ficar?

Um “CGO” tem a principal missão de ampliar a visão da empresa e encontrar novos caminhos que vão levar a um crescimento exponencial e sustentável. Ou seja, o foco não é o crescimento do próximo trimestre ou um crescimento de alguns pontos percentuais, algo mais transformacional. As empresas criaram essa posição justamente pela necessidade de crescer e também para que o curto prazo não sufoque as inovações, as novas iniciativas e os riscos inerentes às grandes conquistas.

Essa é uma posição que geralmente engloba funções como Pesquisa & Desenvolvimento, Marketing, Insights do Consumidor e Inovação. Em algumas empresas, também estão debaixo desse guarda-chuva as áreas de Estratégia, Comercial, Sustentabilidade e até mesmo Fusões & Aquisições. Muitos podem pensar que essa é uma posição apenas para empresas muito grandes, mas a realidade mostra que várias startups possuem um “CGO”, pois a necessidade de crescimento é vital para que essas empresas possam se estabilizar no mercado e recuperar o investimento inicial.

Uma das habilidades requeridas de um “CGO” é a capacidade de trabalhar com times multifuncionais, de conseguir a colaboração entre diversas áreas e habilidades na empresa, sempre tendo como foco principal o consumidor final e suas necessidades, mesmo nos negócios mais “B2B”. Encontrar e escalar os diferenciais competitivos da empresa para novas regiões geográficas, novos segmentos de mercado, novos consumidores, além de produtos e serviços inéditos. Ao mesmo tempo em que as iniciativas precisam ser visionárias, com um olhar para uma demanda futura, precisam passar pelo crivo da viabilidade econômica. Então o desafio do “CGO” é ter esse equilíbrio, estar sempre pensando uma ou duas jogadas à frente do que os consumidores irão demandar e conseguir convencer sua organização a investir seus recursos e esforços e se mover nessa direção. As propostas de novos negócios precisam ser muito fortes e muito bem embasadas, tem que haver um forte poder de convencimento aliado à capacidade de liderar todas as áreas responsáveis por Geração de Demanda para um novo patamar. Uma posição como a de um “CGO” ou Diretor de Crescimento não é a varinha mágica que irá resolver todos os problemas de uma empresa, mas pode ser um importante passo no sentido de provocar sua própria disrupção antes que algum concorrente o faça.