Como os shoppings estão aproveitando os cenários incertos para impulsionar mudanças?



A complexidade e as incertezas do contexto continuam a nos desafiar diariamente, convidando-nos à reinvenção por meio da inovação. Inovação tecnológica, de modelo de negócio, da operação ou de qualquer outro aspecto estão em discussão. 

Se a continuidade do auxílio emergencial ou o fim da pandemia ainda são incertos e nos apresentam dificuldades sem precedentesdevemos aproveitar esse momento para impulsionar mudanças já previstas e que representam ganho de eficiência para nossos negócios e clientes. 

No varejo, se por um lado os shoppings estão entre os mais impactados pela pandemia, por outro, demonstram resiliência e agilidade para alcançar a tão esperada retomada. 

Sendo a abertura ao público uma incógnita, o anywhere channel ou omnicanalidade (integração do varejo) é condição para garantir geração de receita, e não mais uma mera tendência do varejo. Até os players com operações já maduras no conceito da omnicanalidade, estão revisando e enriquecendo seus modelos, tornando-se referências a serem seguidas. Os varejistas que estão adotando estas integrações vêm obtendo êxito na manutenção de suas receitas, alguns inclusive com aumento na geração de caixa!

A urgência do cenário atual impactou substancialmente os projetos de transformação digital. A redução significativa no tempo e no custo de implantação, possível com a adoção de ferramentas já difundidas, bem como, as parcerias estabelecidas entre shoppings e varejistas para o desenvolvimento e evolução de Market Place são bons exemplos de projetos. 

Os canais digitais são importantes para minimizar outro fator de evasão de receita: o distanciamento social. Como nos contou Luana Dias, gerente de operações de uma rede de shoppings: “o distanciamento social não vai acabar tão cedo. As pessoas continuarão evitando contatos físicos, o que requer mais espaço de circulação. Não à toa, os shoppings menos impactados até aqui têm sido os malls a céu aberto ou aqueles com áreas comuns mais amplas. Algumas operações já admitem reduzir quiosques e áreas comuns com densa ambientação em prol de uma circulação mais ampla e segura. O mesmo conceito vale para as lojas que deverão manter layouts mais cleans”, afirma. 

E as transformações não param por aí! Em custos operacionais, as mudanças também são significativas. Seja por conta do lockdown, restrições de horário e/ou quantidade de clientes, o público diminuiu e o retorno aos níveis prépandemia não é esperado no curto prazo. Com ações excepcionais, as operações estão se ajustando aos novos patamares de fluxo. Por exemplo, contratos de serviços que representam menor impacto momentâneo foram reduzidos parte destes recursos direcionada a outras ações: não é errado incrementar gastos com limpeza para garantir alto padrão sanitário em detrimento de redução da operação de segurança, que teve sua demanda reduzida. Este último, inclusive, tem apresentado altas taxas de automação com emprego de tecnologias de câmeras e sistemas de monitoramento resultando em menor custo operacional. 

Outras inovações presentes no setor e que convergem em geração de receita e otimização de custos são as operações compartilhadas. Bem localizados e com espaços customizáveis, os shoppings servem como excelentes hubs logísticos para o varejo. Como exemplo, o canal Food Service vem inovando seu modelo utilizando o conceito de dark kitchens (cozinhas compartilhadas). O modelo consiste em varejistas competidores dividindo a mesma estrutura para produzir os alimentos que servirão seus canais de delivery. Os shoppings ganham com receita adicional, varejo com operação mais eficiente e os clientes com tempo de entrega e frete melhores. 

Com resiliência e visão ampliada, é possível agregar soluções inovadoras e disruptivas frente aos desafios do momento. Por mais que isso nos possibilite minimizar os impactos negativos imediatosao final, o grande legado será os novos conceitos e experiências geradas para clientes e varejistas.