Enfim, a reta final 2020



Em nosso último Papo Jedi de 2019, a mensagem estava carregada de otimismo. Não por menos, os números apontavam para o alto e avante. Havia ainda uma lua de mel com o novo governo e a reforma da previdência acendeu a luz do fim do túnel. Empregos sendo criados, bolsa de valores batendo recorde, risco pais em queda, dólar controlado e Selic em queda recorde. No varejo não foi diferente: o último trimestre teve crescimento na Black Friday e no Natal, selando a esperança de deixar no passado mais uma década perdida.

Escrever sobre fatos passados é bem mais fácil: vemos hoje que o início do ano já dava sinais de que algo estava por nos surpreender – negativamente. O PIB no primeiro trimestre apontou a tragédia que estava por vir: queda de 0,3% sobre o mesmo período de 2019.  O tombo do segundo semestre – queda de 11,5% – ONZE E MEIO!!! – foi o a maior da série iniciada em 1996. Com exceção do Agro, todas as indústrias sucumbiram ao vírus da Covid-19. O descrédito em tudo e em todos foi a tônica… Sobrou até para a Ciência.

Em meio ao caos, reuniões remotas e decisões imprecisas, a única certeza era que a tabua de náufragos era “ser digital”. Mérito para as empresas que já vinham pavimentando esse caminho a um bom tempo. Processos enxutos e otimizados, trato sério na coleta e análise de dados estão entre ferramentas que as empresas sobreviventes – há casos de empresas que cresceram – utilizaram nesse tsunami chamado 2020. É fato que o auxílio emergencial do governo ajudou muita gente a equipar suas casas, com consequente crescimento das vendas de eletroeletrônicos e eletrodomésticos. Mesmo com o varejo online batendo recordes, o varejo como um todo não se sustentou.

A reta final começou e o comportamento de consumo seguiu os passos de 2019. Os eventos sazonais mais uma vez sustentaram as vendas. Estamos ainda celebrando e contabilizando os resultados da Black Friday e Cyber Monday. Para os varejos já digitais, as surpresas foram boas: mais de 30% de crescimento YOY. Para os varejos não digitais, o ano será de perdas: com baixa de 25,5% no faturamento do físico no mesmo período.

Para o ano que vem, a visibilidade de vacinas promissoras a caminho, um cenário geopolítico novo se desenhando, o que mais podemos esperar? Otimismo sempre! Mas balizado por um escaldo realismo e uma transformação digital acelerada. Nunca mais o varejo será o mesmo!