Fala sério?!



Essa semana comemoramos o Dia Internacional da Mulher, e a AGR, que já foi carinhosamente apelidada por um de nossos clientes de “As Garotas Rebeldes”, tem tudo a ver com essa data! Há 16 anos, quando iniciamos a nossa consultoria, as três principais lideranças eram femininas e o nosso cliente (querido até hoje), tinha nessa sigla um grande orgulho. Ele é uma parte importante da nossa história e do nosso sucesso. 

Desde a fundação, acreditamos estar na formação de bons times o sucesso para entregar projetos de qualidade. Nossa estrutura não é Jedi à toa: os cavaleiros são a maioria do grupo e não têm hierarquia específica. São organizados por competência e especialização de acordo com os diferentes projetos. Somos de cultura ágil desde o início, formamos os times com uma mescla em conhecimento e na diversidade, de forma a ter o máximo de visões e ideias possíveis. Quando falamos em mistos, falamos em gênero, falamos em idade e em formação técnica. O que consideramos as características fundamentais para um resultado de sucesso. Márcio Kakumotoda Fastshop, cliente e grande amigo, marcou nossa empresa quando disse: “o maior diferencial da AGR é a capacidade de formar equipes com qualidade e foco na entrega”.  Virou nossa meta a ser perseguida desde então. 

Existem muitas histórias na nossa empresa, acredito que um dia faremos um livro só de contos: “contos de uma consultoria diferente, simples assim!”. Histórias de todos os tipos. Vou contar duas que exemplificam a bizarrice de alguns ambientes masculinos e podem servir de inspiração para essa semana (poderia até dizer histórias machistas, mas melhor não polemizar). 

Ao longo dos primeiros anos da AGR, como a grande maioria de nossos clientes pertenciam ao segmento do varejo, sentimos pouco o impacto do  preconceito contra mulheres em cargos de liderança. Principalmente no varejo de moda, onde a presença feminina sempre foi muito grande. Mesmo assim, tem uma história engraçada para contar. 

O ano era 2010, ano de copa do mundo. Nossa empresa já estava mais madura, com um grupo bem maior de pessoas. Já éramos um time equilibrado entre homens e mulheres, porém, um grupo em sua grande maioria de fanáticos por futebol. Havíamos instituído nas entrevistas de contratação a pergunta “qual o seu time de futebol?”. Uma brincadeira, claro! Mas, que também nos provou que até em times éramos diversos. Enfim, fizemos camisetas, organizamos comidinhas e adequamos os horários, de forma a comemorar juntos os jogos da copa. Não é que um cliente vira para mim (sofredora fanática do São Paulo) e diz: “Que sorte que nesse projeto a gerente é mulher… assim, ninguém precisa parar de trabalhar para assistir jogo…”. Fala sério?! 

Há apenas 2 anos, conseguimos uma oportunidade para nos apresentar em uma gigante do setor de bens de consumoque estava em busca de um projeto de eficiência operacional. Fomos indicados por um de nossos clientes. Entusiasmados, nos reunimos e preparamos uma apresentação matadora. Estudamos todas as informações disponíveis da empresa que, por ser de capital aberto, eram muitas! Partimos em dupla, eu e o Head que seria o responsável pela entrega. Ao chegar ao suntuoso escritório, fomos direcionados a uma sala de reuniões. Como de costume, sentamo-nos um em frente ao outro, nossa tática de monitoramento e comunicação com os olhos ao longo da reunião. Chega o COO e senta-se na ponta da mesa, vira a cadeira em direção ao Head e começa a falar. Faz perguntas, eu respondo e ele não dirige nem a cabeça nem os olhos para minha pessoa. Faz com que o Head responda às mesmas perguntas, mas saindo da boca dele. Obviamente, saquei o perfil e fiquei quietinha ao longo da reunião. Monitorando a troca de olhares com o Head, ajudei-o a não enfiar um sopapo na cara daquele senhor, fazendo uma cara de “deixa para lá! Vamos focar em conquistar esse projeto”. Ao final, vendemos o projeto e nos coube conquistá-lo ao longo das entregas, o que fizemos! Mas, fala sério?! 

Ao longo de 16 anos, escutamos os maiores absurdos que vocês possam imaginar, empresas familiares que tem por regra: “as mulheres da família não trabalham na empresa, somente os homens”, não são poucas e nem estão restritas às pequenas. Empresas que afirmam ter diversidade e a única mulher no C-level está no RH (onde a presença é “aceita”).  Líderes que colocam restrições às mulheres jovens por que “ficarão grávidas” (imagina eu e minha sócia, mães de 3 filhos cada uma, ouvindo isso? Fala sério?!). Não somos uma empresa de feministas, somos uma empresa de pensamento liberal: cada um tem que ter a liberdade de estudar o que quiser, seguir a carreira que quiser e ter oportunidades iguais em qualquer lugar. Todos nós somos responsáveis por garantir oportunidades iguais e o direito de escolha. Falando sério? Além de ajudar a ter um ambiente saudável podemos garantir que os resultados serão melhores.