Você tem F.o.M.O do quê?



Em um desses muitos dias de home office, fim de uma reunião com o time, me deu um aperto. Do nada, aparece aquela sensação estranha que a gente sente quando, numa feira como a NRF¹, escolhemos uma palestra e depois encontramos alguém que disse que viu uma outra palestra muito legal. Será que perdi alguma coisa muito importante? No momento em que me disseram “mas essa ideia não é muito cringe?” – respirei fundo e percebi que o bichinho do F.o.M.O tinha me picado. 

F.o.M.O (“Fear of Missing Out”) é um conceito dos anos 2000 – Sorry, Gen Z! – que traduz o constante sentimento de estar deixando de aproveitar algo, deixando algo de bom passar. Cringe, conceito novo, significa pagar mico, vergonha alheia. Sim, cringe foi uma das minhas mais recentes consultas ao Google. Difícil acompanhar todas as novas siglas, palavras, tendências sem a ajuda desse cara! 

Mas, como o F.o.M.O se relaciona com empresas e negócios? Primeiramente, devemos lembrar que empresas e negócios são feitos de PESSOAS: é natural, portanto, que o sentimento de estar perdendo algo tenha sido espelhado para o ambiente de trabalho. Gestores e executivos possuem a responsabilidade de entregar resultados e, atualmente, resultados estão progressivamente vinculados a inovar, fazer diferente, mais e melhor. Inevitável observar alguns movimentos de outras empresas e não encarar o sentimento de “como não pensei nisso antes?” ou, se preferir, F.o.M.O.  

Peguei meu café (totalmente cringe!) e fiquei pensando: aprendi um novo conceito, através de uma frase em uma reunião de time. Foi preciso um olhar de fora para enriquecer a discussão. Meu trauma passou e achei sensacional isso.  Percebi que, ao invés de me aprisionar no F.o.M.O, ampliei meu ponto de vista. 

Já se sentiu assim? Discutindo IoT (Internet of Things), uma plataforma no code ou low code, ou a automação de workflows com a sensação de que não está atualizado o bastante? Muitas vezes, estamos tão focados em nossas rotinas que, realmente, perdemos o bonde (entreguei a idade). E tudo bem. Não é necessário saber de tudo o tempo todo. O importante é manter relações diversas, com pessoas que tragam esses novos pontos de vista.

Com o café pela metade, já estava refletindo: da mesma forma que um integrante do time me trouxe novas perspectivas, uma consultoria pode trazer novas ideias para seu negócio. É perfeitamente possível fazer isso, respeitando a cultura da empresa e desafiando suas verdades. 

Discutir processos, produtos e estratégias com alguém de fora gera resultados consistentes. Afirmo com conhecimento de causa, já que na AGR somos obsessivamente inconformados e questionamos a todo tempo nosso ponto de vista.  

O café acabou. Percebi que estava com fome e F.o.M.O. Mandei a primeira versão deste artigo para revisão e, obviamente, ela foi desafiada. Relendo, acho que ficou bem melhor agora. Obrigada Popy por me salvar de ser “cringe”. 

¹ NRF: National Retail Federation