Redes de porte médio saem na frente com uso do caixa de autoatendimento



Muito comum no varejo alimentar no exterior, a tecnologia ainda não ganhou força no Brasil; no entanto, visando fidelizar e ganhar novos clientes, alguns grupos menores investem neste modelo

São Paulo – No setor de supermercados, quem tomou a frente na implantação dos chamados self-checkouts foram as redes menores. Enquanto as maiores do ramo no Brasil ainda relutam em investir na tecnologia de autoatendimento, grupos como Confiança, Savegnago e Coop apostam na ferramenta como forma de fidelizar o cliente.

Apesar de muito comum no exterior, o uso desse modelo de caixa – em que o próprio consumidor registra e paga seus produtos – ainda não ganhou muita força no segmento supermercadista em território nacional.

Para se ter uma ideia, nenhuma das três maiores do ramo (Carrefour, Walmart e Grupo Pão de Açúcar), instalou a tecnologia em suas unidades no País, apesar de lá fora as duas primeiras já terem aderido ao formato.

Para a CEO da AGR Consultores, Ana Paula Tozzi, esse é um movimento natural, e no exterior ocorreu da mesma forma. “Para sobreviver, o médio varejo tem que trazer a conveniência para o consumidor, e o autoatendimento faz exatamente isso.”

A executiva completa que, por não ter a capilaridade, a política de preços e a barganha das grandes, as redes médias precisam investir nesse tipo de inovação – até como forma de conquistar e ampliar seus consumidores.

No Brasil, a pioneira no uso da ferramenta foi a Muffato, em 2012. Recentemente, outras três companhias decidiram apostar nesse modelo de venda. Com 37 unidades, todas no interior de São Paulo, a Savegnago é uma delas. Em novembro passado a rede instalou o primeiro self-checkout. Hoje, seis lojas contam com a tecnologia. “Duas dessas eram antigas. As outras quatro foram novas lojas que já abrimos com os caixas de autoatendimento”, conta o diretor de operações da empresa, Carlos Trovão. Segundo ele, a ideia ao investir nas máquinas era dar uma opção a mais para o consumidor. Sendo assim, o número de caixas com a presença do atendente se manteve igual. “Implantamos por loja quatro self-checkouts, em unidades que possuem entre 18 e 24 caixas normais”, explica.

A rede Confiança, com dez lojas também no interior de São Paulo, já possui a tecnologia em duas delas. A primeira foi instalada em uma operação em Bauru, no dia 12 do mês passado, e a outra em uma nova unidade em Marília.

Segundo o gerente de TI da companhia, Fábio Luiz de Oliveira, o processo está em fase de testes, mas a intenção da empresa é expandir para todas as unidades da rede.

Aceitação do cliente

Uma das preocupações da companhia ao instalar as máquinas foi conseguir atender também ao público que não tem familiaridade com tecnologia. Para isso, Oliveira conta que duas ‘fiscais’ trabalham dando orientação sobre como utilizar o autoatendimento.

“Mas isso deve ser transitório. À medida que as pessoas forem se acostumando não deve mais ser necessária a presença dos funcionários”.

Para Tozzi, da AGR Consultores, esse tipo de ação é fundamental no processo de adaptação do cliente. “O público mais velho pode ter um certo medo no começo. Por isso é importante, no início, que tenham funcionários explicando sobre o uso das máquinas”.

Em linha com essa visão, a Cooperativa de Consumo (Coop), que também investiu recentemente na ferramenta, treinou oito funcionários para a orientação do consumidor.

A companhia instalou no dia 30 do mês passado quatro self-checkouts na unidade de Santo André. Segundo o diretor de operações, Valdomiro Sanches Bardini, o plano é que no futuro a tecnologia seja estendida para todas as novas inaugurações da rede.

Apesar da iniciativa das varejistas, alguns fatores ainda inibem uma disseminação maior no País. “O principal deles é cultural. O brasileiro tem essa cultura de gostar de ser atendido. Mas já estamos evoluindo para o caminho do autoatendimento”, diz Tozzi.

 

Notícia divulgada: DCI – Diário Comércio Indústria & Serviço