Papo Jedi: A nova onda do mercado de alimentação

Por: Rafaela Natal Trentin

Antes dominado pelas grandes indústrias frigoríficas do país, o mercado de proteínas está aquecido ultimamente.  O aumento no número de lançamentos de produtos à base de proteínas vegetais vem balançando o mercado.  Segundo pesquisa realizada pelo IBOPE em 2018, 14% da população brasileira se declara vegetariana. No mundo, o mercado plant-based cresce mais de 6% ao ano e deve somar US$ 10.9 bilhões até 2022.

A ascenção dessa categoria de produtos demonstra o reflexo da busca dos consumidores de proteínas alternativas à carne. De acordo com a pesquisa do Health Focus International, 17% dos consumidores dos EUA entre 15 e 70 anos de idade afirmam consumir uma dieta predominantemente baseada em vegetais, enquanto 60% relatam estar reduzindo os produtos à base de carne.

As proteínas vegetais estão no topo da lista de novos ingredientes mais procurados pelos consumidores há alguns anos, consolidando um mercado atrativo de novos produtos. Nos lançamentos podemos encontrar fontes incomuns como insetos, até alternativas mais tradicionais, como ervilha, grão-de-bico e soja.

Durante nossa visita à NRA Show 2019 (National Restaurant Association Show) que aconteceu há alguns dias em Chicago – USA, pudemos ver que um dos principais destaques da feira foram as “carnes” à base de planta, ou então, plant-based.

Os hambúrgueres que imitam cheiro, textura e sabor da carne bovina continuam fazendo um tremendo sucesso, como no ano anterior. Marcas como Impossible Foods e Beyond Meat tinham alguns dos stands mais movimentados do evento.  Degustamos os produtos e eles não deixaram nada a desejar em relação à sensação de comer carne animal; eram super saborosos!

 

Aqui no Brasil, o “Futuro Burger”, carne de plantas nacional produzida pela foodtech Fazenda Futuro, em Volta Redonda (RJ), já pode ser encontrado em supermercados de São Paulo e Rio de Janeiro. O produto vem causando tanto burburinho que em alguns supermercados de São Paulo, o hambúrguer esgotou no mesmo dia! O produto também já pode ser encontrado no foodservice em redes como: Lanchonete da Cidade, T.T. Burger e Spoleto.

O uso da tecnologia foi importantíssimo para o desenvolvimento do produto, segundo o idealizador e fundador da Fazenda Futuro, Marcos Leta. A utilização de IAs (Inteligências Artificiais) foram fundamentais na criação do hambúrguer. As máquinas importadas da Alemanha, possibilitam analisar a textura e realizar testes sensoriais para conseguir o resultado mais similar possível com a carne bovina. O produto foi elaborado com base em grão-de-bico, ervilha e soja, condimentos como sal, pimenta e cebola, e suco de beterraba, que cria o efeito de vermelho que remete ao sangue da carne. O aspecto “dourado” do hambúrguer após assar ou grelhar, é obtida graças a reação de Maillard – reação química que ocorre entre um aminoácido ou proteína e um carboidrato redutor, obtendo-se produtos que conferem sabor (flavor), odor e cor aos alimentos. Em breve, a startup Behind The Foods lançará também seu hambúrguer à base de plantas.

A Beyond Meat, que estreou há alguns dias na bolsa de valores americana com um valor de mercado bilionário, com ações que dispararam mais de 170% na estreia, marcou presença com sua linha de hambúrgueres e embutidos, enquanto a Impossible Foods está nos cardápios do Burger King e recebeu US$ 300 milhões de investimento recentemente.

Durante a APAS Show 2019, a marca Superbom, especializada na produção de alimentos para o público vegetariano e vegano, apresentou a sua linha completa de embutidos que contém: seu novo hambúrguer 100% vegetal a base de ervilhas, empanados e semiprontos cujas receitas imitam o sabor das carnes de peixes, frangos e suínos.

Marcas tradicionais da indústria de proteínas animais também apresentaram novidades para o público vegano. A Seara, do Grupo JBS – maior processador do mundo de proteína animal – lançou um hambúrguer produzido à base de plantas. Outras marcas de relevância para o varejo nacional como por exemplo, A Tal da Castanha, Hart’s Natural, BioZ, Pipó, Hellmann’s, Miss Croc e Mãe Terra também aproveitaram a feira para mostrarem seus lançamentos nos segmentos de: beleza e cuidados pessoais, de higiene e limpeza, bebidas, snacks e biscoitos.

O veganismo tem sido um fator de peso nas decisões estratégicas das grandes empresas também, ao contrário do que víamos há alguns anos onde esse estilo de vida tinha a atenção basicamente das pequenas e médias indústrias.

Essa movimentação no mercado da indústria de alimentação, além de introduzir mais opções para os vegetarianos e veganos, também demonstra que os novos consumidores esperam que as empresas apresentem seus propósitos, e não apenas seus produtos!

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