A Tragédia de uns é a Oportunidade de outros!



Por: Ana Paula R. Tozzi 

O ano é 2010. O Brasil aguarda ansioso a chegada dos maiores eventos mundiais do esporte. Lá vem a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016. A economia está aparentemente bem encaminhada e a infraestrutura para esses eventos sendo discutida: aeroportos, estádios de futebol, ginásios, trem, metrô, VLT… enfim, um mar de oportunidades para o país.

Em 2012, formou-se a “Aeroportos Brasil” – concessionaria formada pela UTC, Triunfo e Egis – para investir e explorar em conjunto com a Infraero o aeroporto de Viracopos. Com previsões incríveis, dinheiro público em abundância e corrupção de sobra, iniciou-se o projeto do voo de uma galinha. Não durou 6 anos…

Desde o início, com dificuldade de caixa, a empresa teve dificuldades em aportar os valores necessários para entregar as promessas de reformas e expansão. Com muito atraso, depois da Copa do Mundo, em novembro de 2014 o grupo finalmente inaugurou o novo terminal. Apenas um dia depois, o presidente da UTC foi preso pela Operação Lava Jato. Some-se a esse cenário os impactos da crise econômica: em 2016, o numero de passageiros em Viracopos ficou 52% abaixo do projetado e o volume de cargas 48% abaixo.

Atualmente, em recuperação judicial, o grupo busca uma solução para os enormes problemas enfrentados.

 

Quem seria capaz de transformar esse cenário?

Em 30 de agosto deste ano, os sites de noticias publicavam: “Correios anunciam taxação que pode comprometer as compras de 22 milhões de brasileiros em e-commerces internacionais” – anúncio de taxa fixa de R$15 para qualquer encomenda vinda do exterior. Para se ter uma ideia, o tíquete médio da compra de um brasileiro nos sites chineses é de R$418 e a taxação equivale a um imposto de 3,5%. Mesmo que em alguns casos ainda valha a pena, espera-se uma queda no volume de vendas.

No dia 6 de setembro, o jornal Folha de São Paulo publica uma matéria cuja manchete começa com: “Dona da AliExpress negocia Viracopos para criar um centro de distribuição”.

A Aliexpress teve no Brasil em 2017 o quarto país em número de clientes e seu presidente Jack Ma, em visita recente ao país, afirmou que estuda montar um escritório local para fomentar não só as vendas online, mas também investir em logística e na oferta de crédito. As metas seriam aumentar a capacidade dos terminais de carga e desenvolver um projeto de logística.

Trazer investimento para a logística brasileira será muito benéfico para todos os varejistas. Principalmente para aqueles que estão em busca do crescimento das vendas através da implementação de projetos de Omni Channel.

Apesar de não estarem sozinho na tentativa de aquisição do importante aeroporto paulista, a Camargo Correia através da CCR está no páreo, entendo que para o Brasil seria extremamente importante ter um novo player no setor. Com uma nova cultura, com novos modelos de gestão, acredito que a Aliexpress pode somar muita inovação ao país.

Se puder torcer, dessa vez, torço pelos chineses!