Atacarejo 2020 – Como se manter relevante?



O varejo tem um ditado que diz: “quando chegamos aos meses do “bro” o ano acaba voando”.
Setembro, outubro, novembro e dezembro, são meses com datas como Semana da Criança,
Black Friday e Natal. Em 2019, tivemos, pela primeira vez, a novidade da “Semana da Pátria”,
com promoções exclusivas para comemorar a independência do Brasil. Pelos resultados
positivos, deve ser uma nova data no calendário comercial e deve preencher o único mês “bro
que não tinha um evento associado. Assim, todos os concorridíssimos meses do bro estão
preenchidos!

Neste período, é muito difícil você convencer um varejista a se transformar, implementar uma
mudança ou planejar o futuro. O foco fica em vendas, vendas e vendas! Nada diferente do
cenário dos Atacadistas. Na verdade, desde que você já tenha feito sua lição de casa para o ano
seguinte, estamos totalmente de acordo com o foco. Caso contrário, você será mais um
empreendedor ou CEO que acorda de manha sem entender como sua empresa perdeu
relevância no mercado, ou não tem mais os resultados do passado. É a antiga e super citada
“parábola do sapo fervido” que morre sem perceber.

Ainda temos uma série de empresas que adotam o período de “freeze”, onde todas as
iniciativas não relacionadas a vendas ficam congeladas até janeiro, com o final das liquidações.
Para alguns, esse período começa em primeiro de novembro, para outros começa no dia
quinze. De qualquer forma, são perto de três meses em que as iniciativas ficam estagnadas.
Segue-se o período de férias, quando a maioria dos gestores têm programados os seus
descansos e… voilá! o ano começa depois do carnaval. Ou seja, trazendo a valor presente
líquido, temos 6 meses para realizar outros planos, pensar em inovar, reciclar equipes,
reposicionar os negócios, fazer ajustes. Faz sentido? Que tal mudarmos essa inércia para 2020?

Nas operações tradicionais que visito ao redor do mundo, a lógica é muito parecida. Mas, nas
operações inovadoras, que estão crescendo e conseguindo fazer os mundos digitais e físicos se
fundirem, vemos lógicas de negócio bem diferentes. Em primeiro lugar, as empresas têm se
preocupado com a transformação cultural. Cultura ágile, o trabalho em times, as metas
compartilhadas e os projetos multifuncionais, organizados em MVPs, são pontos de
convergência nessas empresas. Um segundo aspecto fundamental, é a independência destes
times criarem e pilotarem projetos pequenos com verbas independentes e com a margem de
errar. Errar na inovação, obviamente não estamos falando de erros transacionais básico. O
projeto deu certo? Passa-se para o time de operações fazer o roll-out. O projeto deu errado,
vamos aos ajustes ou o descartamos assumindo o pequeno prejuízo. Nesse modelo,
conseguimos ter o time de operações preservado, ao mesmo tempo que temos times
cumprindo a agenda de constantemente repensar e inovar nossa empresa.

Para 2020, minha sugestão é entrar o ano pensando em como garantir que vamos trabalhar no
presente e no futuro concomitantemente. Temos que estar preparados para o crescimento da
economia, o aumento da concorrência, o crescimento das nossas operações físicas e digitais, ao
ambiente de ecossistemas complexos… enfim, o Brasil está saindo da crise e o Atacado saiu
mais forte. Agora, para mantermos nossas vantagens competitivas em um novo cenário,
teremos que repensar: como vamos nos manter relevantes? Certamente, não será fazendo as
mesmas coisas que fazíamos antes, não é mesmo?!

 

Ana Paula Ribeiro Tozzi

AGR Consultores