Bem vindos ao futuro!



Por Luiz Felipe Gil

08/05/2017

Quem tem cerca de 35 anos ou mais vai se lembrar da época em que assistíamos filmes, livros, desenhos e séries que buscavam prever como seria o futuro. Os Jetsons, Blade Runner, Exterminador do Futuro, Matrix, De Volta para o Futuro, os livros de Isaac Asimov, StarTrek, para lembrar apenas de alguns e ativar a memória de quem passou por este período, incluindo-se aí eu mesmo.

Um dos pontos em comum sempre discutido era de como seria a sociedade tecnológica, onde os robôs poderiam nos substituir em tarefas repetitivas e desgastantes e a inteligência artificial iria tomar decisões por nós, para o bem e para o mal. Carros voadores e autônomos, vídeo-chamadas, informações instantâneas quando fossem necessárias, interações entre humanos e robôs de forma natural, leitura do estado de saúde e diagnóstico remoto eram alguns dos pontos que sempre apareciam neste admirável mundo novo.

Pois bem, tenho uma informação para vocês. O futuro chegou! Quando criança eu sempre achei que só veria algumas destas coisas quando estivesse muito velho, mas não! Veja só, hoje a Uber está testando táxis autônomos, o Google e Facebook vêm investindo gigantescas quantidades de dinheiro para aprimorar seus sistemas de inteligência artificial, quando precisamos de alguma informação é só acionar o smartphone que está em nossas mãos, já somos atendidos por chatbots em diversos sites, o Watson da IBM já faz trailers de filmes de forma independente, desenvolvimento de sensores para o monitorar nosso organismo e etc etc etc… Aquilo que imaginávamos como futuro, nos alcançou.

E qual o impacto disto para as empresas, força de trabalho e consumidores? Como diria Goulart de Andrade, vem comigo: o impacto é descomunal! Tudo que conhecíamos foi, é, ou será afetado profundamente pelas novas tecnologias que vêm se realizando nos últimos 10 anos. As relações de consumo, antes baseadas no face-to-face agora se dão no mundo virtual. No campo do trabalho temos advogados substituídos aos milhares por inteligência artificial. O capital já não é mais mandatório para se estabelecer negócios, como nos mostra AirBnb, Uber, entre outros.

O que percebo hoje em dia é que muita gente ainda não se deu conta de que o futuro está aí. Na verdade, parece que o futuro já foi ontem. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman “vivemos dias de interregno quando os velhos jeitos de agir já não servem, mas os novos não foram inventados”. A maioria das pessoas ainda considera que o futuro está muito distante, apesar de estar batendo à nossa porta a todo instante.

Varejistas ainda mantém velhas práticas de comércio e altos níveis de estoque. Líderes da indústria não se deram conta de que é necessário se reinventar e reduzir os ciclos de produção e aplicação de capital. Antigamente era razoável manter 30-90 dias de estoque de produtos. Hoje em dia, em 90 dias o produto pode ficar obsoleto. Empregados, funcionários ou colaboradores, independentemente de como queiram ser chamados, ainda não perceberam que poderão ser substituídos por algum robô ou inteligência artificial mais rápido do que imaginam.

O que eu quero dizer aqui é: quem não se mexer, vai ser levado pela maré. Para onde a maré vai seguir não temos certeza, só sabemos que ela vai seguir. Então, reflita profundamente se você como empresa, como consumidor, como vendedor, como trabalhador, como pessoa, está se preparando para este futuro. Esteja de olhos abertos às novas tendências e de que forma tirar proveito delas, ou no mínimo, adequar-se ao novo cenário.

E peço desculpas para aqueles que não conhecem as referências que usei aqui neste texto. Nosso futuro foi construído com base nas criações destes que deram vida aos sonhos mais loucos da humanidade àquela época. Espero que vocês consigam criar os novos jeitos de agir, que sejam melhores dos que tivemos até hoje, e que sejam fáceis para nós da velha guarda aprendermos e colocarmos em prática!