Falando um pouco de M&A – Acabou a chatice



Por Ricardo Akio

Nos artigos anteriores, comentamos sobre a necessidade de olhar as demonstrações financeiras com os olhos do investidor e que o próprio empreendedor precisa estar confortável com a “linguagem” contábil. Neste artigo, vamos observar alguns pontos entre controles gerenciais e contábeis que podem ajudar nesta tarefa.

Primeiramente, vale destacar alguns atributos importantes do termo informação neste contexto. Uma informação é um dado relevante para a pessoa adequada, no tempo e formato propícios e a um custo aceitável. Ou seja, a informação é o dado que chega ao tomador de decisão – que detém conhecimento para interpretá-lo – no tempo adequado para que ele possa escolher e decidir qual ação tomar. Certamente, existe uma relação de compromisso, pois o dado perfeito, tende a demandar mais tempo e a custar mais caro. Por que destacamos esses pontos? Por causa do usuário típico da informação contábil: o público externo a organização como Governo, reguladores, credores e investidores. E tipicamente, ela é requerida em base mensal, trimestral ou mesmo anual. Por outro lado, a informação gerencial é imprescindível para a administração da empresa nos seus mais variados níveis hierárquicos. E esse público interno, muitas vezes requer essa informação em bases mais dinâmicas: mensal, semanal ou mesmo diária. Naturalmente, implementam-se sistemas de informação específicos para cada uma dessas duas necessidades e cada qual segue contando a sua estória, não raras vezes sem aderência mútua.

Embora sejam para públicos distintos, a informação gerencial e a contábil têm a mesma natureza: a operação da empresa. Ainda que possam ter diferenças quanto aos critérios de apuração, ao formato ou à frequência, o ponto fundamental é que elas têm a mesma origem. Portanto, é importante buscar “harmonizá-las”, isto é, trabalhar na convergência dessas eventuais diferenças na apuração das principais linhas de uma Demonstração de Resultados, por exemplo. Dado que a informação gerencial muitas vezes já está disponível antes da informação contábil, a ideia é prepará-la como se contábil fosse, avaliando as principais diferenças em vendas, custos, despesas, impostos, etc. Este processo de conciliação permite compreender melhor os critérios envolvidos, bem como possibilita a revisão de formas alternativas de evidenciação tanto contábeis, quanto gerenciais. De modo geral, muitas vezes, trata-se de dar um passo atrás e voltar na origem dos dados contábil ou gerencial, verificar o critério de apuração para que se possa avançar na conciliação.

A dupla checagem dos valores contábil e gerencial é uma consequência desse processo para o caso de erros. Melhor ainda, passa a existir certa previsibilidade dos valores. Fechado um mês, por exemplo, é possível inferir qual o resultado contábil esperado com base no gerencial com certa assertividade. Este processo, ao longo do tempo, permite refinar o modelo de gestão e de simulação.  Trata-se de um exercício contínuo de avaliação de resultados. E que complementa a análise orçamentária, a qual normalmente, tem um período mais amplo: anual, bianual com revisões semestrais etc.

Mas já fazemos tudo isso! Parabéns, já estão bem encaminhados. Caso contrário, mãos à obra! Esta é uma situação em que tanto o produto final, como o processo de desenvolvimento é enriquecedor. Em resumo, no processo de planejamento e controle da empresa é importante que se busque a convergência do gerencial ao contábil, pois trata-se de antecipar o futuro em decisões estratégicas, administrativas ou operacionais.