Novos Hábitos Saudáveis



O aumento da expectativa de vida e o aumento da incidência de várias doenças tem feito o consumidor reavaliar alguns de seus hábitos alimentares.

Ao mesmo tempo que os consumidores brasileiros manifestam a expectativa em beber mais água, utilizar mais temperos naturais, consumir menos açúcar e cuidar mais da saúde, não conseguem manter uma dieta balanceada na “realidade”.

Vários fatores estão contribuindo para que as pessoas se esforcem para perder peso e melhorar sua qualidade de vida: o aumento na incidência de doenças crônicas causadas por estilos de vida pouco saudáveis, o aumento das taxas de obesidade globais entre os adultos ao longo dos últimos 30 anos, o aumento com autocuidado, tratamento e prevenção e por fim o envelhecimento da população global.

Segundo dados da Nielsen, 57% dos brasileiros estão buscando perder peso e 78% deles estão mudando seus hábitos alimentares para atingir esse objetivo. Ao redor do mundo, aproximadamente 75% das pessoas acreditam que “são o que comem”, um indício de que os consumidores atuais estão explorando as tendências de saúde.

Esta é uma das razões pela qual a cesta de, alimentos e bebidas que têm benefícios funcionais ou representam um consumo mais light, cresce cada dia mais regionalmente. De acordo com um estudo do Instituto Euromonitor de 2015, o mercado de alimentação ligado à saúde e ao bem-estar cresceu 98% no Brasil entre 2009 e 2014. O setor movimenta US$ 35 bilhões por ano no país e é o quarto maior mercado do mundo.

Essa tendência veio para ficar. O chamado de Health Movement, é transversal, ou seja, engloba desde os insumos com certificação até cardápios de restaurantes que contém informações de que seus produtos são certificados, orgânicos ou sem manipulação genética.

Na busca por um estilo de vida mais saudável, o consumidor busca produtos cada vez mais saudáveis ​​para incluir em seu carrinho de compras. De acordo com 43% das pessoas, os atributos mais importantes que influenciam na compra são: alimentos naturais, funcionais, sem Organismos Geneticamente Modificados (OGM), com baixo colesterol, alta concentração de fibras, base de vegetais ou frutas e com baixo teor de sódio.

Outra tendência que vem despontando quando falamos de alimentos saudáveis é o consumo de proteínas. A popularização de produtos antes tidos como específicos para atletas cresceram em proporção, em números de categorias e, ainda se destacam como a categoria com maior inovação em termos de sabores.

Os consumidores brasileiros destinam em média, 22% do gasto total em alimentos saudáveis. Já 48% dos millennials estão dispostos a pagar mais por alimentos saudáveis. De acordo com estudo da Mintel, 83% dos adultos brasileiros concorda que vale a pena gastar mais para comer alimentos mais saudáveis.

Apesar da situação econômica desfavorável do Brasil, a categoria de produtos saudáveis continua crescendo. É possível perceber que muitos desses produtos já são familiares e fazem parte do consumo diário dos brasileiros. Por outro lado,  com o agravamento da crise, os consumidores tiveram que optar por produtos mais baratos, abrindo mão de alguns hábitos e marcas para manter o seu padrão de compra.

Em resposta a essa tendência, os fabricantes precisam criar bons produtos com preços acessíveis. De acordo com uma pesquisa da Mintel de 2015, quase um terço dos brasileiros que consomem produtos saudáveis gostaria de ver uma maior variedade de produtos saudáveis ​​disponíveis nos supermercados. Em comparação com outros países, como os Estados Unidos onde o mercado é mais maduro, o Brasil apresenta muitas oportunidades que ainda podem ser exploradas.

Multinacionais como Nestlé, PepsiCo, Mondelez, Danone e Coca-Cola continuam a dominar o mercado de saúde e bem-estar.. No entanto, o número crescente de players pequenos e regionais demonstra que existe espaço para explorar novos nichos de mercado e diferentes posicionamentos de preço. Os players que optarem por entrar nestas categorias devem levar em conta aspectos como preço, ingredientes, rotulagem e embalagem.

Apesar da crise, o Brasil passa por um estágio de desenvolvimento socioeconômico no médio e longo prazos, o que causa um considerável impacto no estilo de vida da população. Ao mesmo tempo que o crescimento da economia permite que mais pessoas tenham acesso a produtos saudáveis e naturais, é utópico acreditar que todos os alimentos processados fazem mal para a saúde humana.

O varejo alimentar e o foodservice precisam ficar atentos em relação  as grandes mudanças de hábitos de consumo, buscando o entendimento sobre o perfil do comportamento do novo consumidor, que além de buscar o melhor custo/benefício, tem procurado produtos inovadores e que traduzam o propósito das empresas que os produzem. Além de aumento no faturamento, essa categoria pode conferir uma margem de lucro muito superior quando comparada a produtos de categorias tradicionais. Terão sucesso os empreendedores que tiverem a mente aberta, se estruturarem e inovarem.