Papo Jedi: O mercado de lojas de conveniência

Por Rafaela Natal

A revista Nation’s Restaurant News (NRN) publicou esse mês a lista das 25 maiores redes de restaurantes com sede fora dos Estados Unidos. As três maiores são redes de lojas de conveniências, todas japonesas.  São seis redes de lojas de conveniência (C-Stores ou convenience stores) que estão na lista das top 25.

Com a crescente demanda no consumo e comércio de alimentos em geral, a expansão de cadeias de minimercados (ou mercados de vizinhança) e lojas de conveniência em postos de combustíveis vêm acontecendo de maneira arrojada também no mercado brasileiro. Apesar do mercado nacional apresentar grande potencial de crescimento quando comparado às médias globais, o setor de lojas de conveniência representa apenas 16% do varejo total no Brasil. A média mundial atinge o nível de 22%, segundo dados publicados pelo jornal Valor Econômico. O setor de lojas de conveniência no país ainda está imaturo e tem muito a desenvolver.

O Brasil ainda está atrás de outros países, até mesmo da América Latina no que diz respeito ao percentual de lojas de conveniência presentes em postos. No Chile, as lojas estão presentes em 33% dos postos. Na Venezuela estão presentes em 40% dos postos na e Argentina em 50% . Comparando-se com o mercado americano a distância é ainda maior. Nos Estados Unidos 94% dos postos têm lojas de conveniência.

No Brasil, existem atualmente 41.00 postos de combustíveis e apenas 7.655 lojas de conveniência, segundo dados do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom). Esse dado mostra que existe uma grande capacidade de expansão interna, ou seja, a inauguração de novas lojas dentro das próprias redes de postos de combustíveis.

Apesar de todo o quadro desanimador que o varejo brasileiro enfrentou em 2016 (recuo de 6,2%), o setor de lojas de conveniência se mostrou próspero, faturando R$ 7.2 bilhões de reais de acordo com dados da Nielsen. Na comparação entre 2015 e 2016, o segmento celebrou um aumento de 10,8% em faturamento, de 8,8% em número de lojas das associadas e de 7,3% em ticket médio. O número de transações cresceu 3,3%, de acordo com dados da agência Nielsen.

O novo perfil do consumidor brasileiro e a entrada da classe C como consumidora nesse segmento do varejo estão ajudando a impulsionar ainda mais o mercado, favorecendo a expansão de formatos de conveniência em lojas fora de postos de serviços no Brasil

A concorrência está se tornando cada vez mais acirrada.  Cientes da busca do consumidor por praticidade, rapidez e conveniência na forma de fazer suas compras as redes de supermercados têm desenvolvido nos últimos anos as suas versões de mercados de proximidade (ou mercados de vizinhança). Essas lojas oferecem produtos para compras de reposição e emergência, produtos em embalagens menores, novas ofertas na linha de refeições prontas, bem como frutas, sobremesas e bebidas em seus grab & go.

As grandes redes do varejo alimentar têm planos agressivos de expansão de suas lojas no formato “mercados de proximidade”, com inaugurações das bandeiras Carrefour Express (mais de 100 lojas), Minimercado Extra, Minuto Pão de Açúcar (mais de 80 lojas) e Petit Mambo (mais 50 unidades até o final de 2020). A rede Hirota têm focado na expansão das lojas Hirota Food Express (com 9 unidades). Outra gigante do varejo, a Americanas está pilotando no Rio de Janeiro uma loja nesse formato, a Americanas Express. Novas redes de outros segmentos possivelmente integrarão o mercado nacional.

Holofotes da conveniência permanecem voltados para o food service. A busca por soluções práticas para refeições fora do lar continua fazendo parte da realidade do consumidor. No Brasil, o food service é o segmento de alimentação e bebidas que mais cresce. O setor de alimentação e bebidas fora do lar representa 34% da participação do food service no gasto das famílias com alimentação, sendo que em alguns mercados mais maduros já está em 36%, com clara tendência de aumento. Estima-se que em até dez anos a participação da alimentação fora do lar no Brasil irá representar 40% do total dos gastos com alimentos e bebidas, criando um cenário muito mais favorável do que o de hoje.

Dentro da loja de conveniência, o mercado de food service, representa hoje 15,4% do faturamento das lojas. As lojas estão se preparando para melhorar a oferta dos produtos e serviços dessa categoria, visando atender melhor o consumidor que busca esses produtos no canal conveniência. A tendência é que a categoria food service se fortaleça cada vez mais nesse canal.

A indústria do varejo de conveniência em postos de combustíveis tem vivido em permanente mudança nas últimas décadas. O mercado se tornará mais sofisticado e as lojas de conveniência deverão evoluir para permanecerem relevantes diante de um cliente cada vez mais exigente e complexo. Por muitos anos, esse canal de consumo transmitiu uma imagem muito básica da oferta de loja. Serviços básicos como um banheiro limpo, serviço atencioso e um ambiente seguro eram muito difíceis de se encontrar, piorando a imagem do segmento. As redes agora têm a oportunidade de evoluir nesses aspectos e surpreender positivamente os clientes, ganhando crédito e confiança do consumidor.

Hoje, não basta operar fazendo o básico bem feito. É preciso se destacar, criando uma oferta diferenciada, focando na qualidade, rapidez, tecnologia e praticidade para obter a fidelização e satisfação do cliente.

Em breve as c-stores no Brasil terão a mesma relevância no canal de food service do exterior. Lá fora já aconteceu e no Brasil vai acontecer!

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