Reinventando as Organizações



Por: Ana Paula R. Tozzi

Consultoria. Consultoria é o que nós amamos fazer por aqui. A “beleza” de trabalhar em projetos diversos é saciar a curiosidade que a maioria dos profissionais têm constantemente: “Como seria se eu trabalhasse em um shopping?”, “Como seria se eu trabalhasse em Recursos Humanos? E em Finanças? E se eu trabalhasse com Supply Chain?”, “Como será que a indústria XPTO consegue crescer tanto enquanto os concorrentes estagnaram?” … enfim, para o consultor não existe monotonia, muito menos endereço fixo! Há sim muitas oportunidades de aprendizado e crescimento.

Por estarmos dentro das mais variadas organizações, conseguimos perceber com antecedência movimentos e tendências de gestão que vão trazer desde pequenos ajustes, até grandes transformações nas empresas.

Periodicamente, aqui na sede da AGR, fazemos reflexões de “mente aberta” com o time todo. Discutimos as tendências de gestão, as metodologias, os modismos e comparamos com o que estamos vivenciando em nossos clientes. Uma visão unânime do nosso time pode ser entendida no livro “Reinventando as Organizações” do Frederic Laloux. Será que realmente estamos preparados para reorganizar nossas organizações para atender esse novo complexo modelo de negócio que vemos crescendo em nossos clientes?

Para onde estão indo as organizações?

Em seu livro, Frederic começa explicando a evolução das estruturas organizacionais nos últimos milhares de anos, apresentando as rupturas desde o modelo tribal – organizações instáveis com um “chefe” que lidera pelo medo (exemplo atual são as milícias ou máfia) – passando pelas organizações agrárias, com ciclos previsíveis e extremamente hierárquicas (igrejas são um bom exemplo atual); pincelando a revolução industrial com seus organogramas e as mais atuais empresas direcionadas através da forte cultura, com pessoas apaixonadas pelo propósito, até os dias de hoje.

Para definir esse novo modelo, ele dedicou 3 anos de estudo até entender o que essas novas empresas tinham em comum:

1) Self-management: sistema diferenciado de tomada de decisão, organizando times que entregam o mesmo “valor final”, por exemplo, de forma que o grupo tenha autonomia de tomada de decisão, respeitando sempre os que serão impactados pela decisão e a opinião de experts;

2)Wholeness: a liberdade das pessoas serem realmente quem elas são. A idéia aqui é respeitar e valorizar as opiniões diferentes. Estimular a paixão e potencializar a energia dedicada aos projetos e aos resultados que o time vai produzir;

3) Evolutionary Purpose – de forma clara, e não cínica, para onde esta organização deseja ir? Quem de fato essa empresa deseja ser? Quais de fato são os valores e o propósito que essa organização deseja promover?

Esses três princípios, devem obrigatoriamente ser embalados por uma poderosa rede de informações que promova a democratização das informações de forma transparente e envolvente.

O varejista americano Patagonia, o holandês prestador de serviços hospitalares Buurtzog e a empresa processadora de tomates MorningStar são três exemplos de empresa que são modelos desse novo modelo*.

Nós aqui na AGR nos identificamos muito com as organizações atuais que se apegam pouco ou nada aos cargos ou a hierarquias individuais. Adaptamos as metodologias Ágile, Lean e Scrum à nossa cultura Jedi e hoje temos um como propósito ajudar as empresas a repensarem suas organizações e evoluírem para novos patamares de complexidade.

Nunca a expressão de Peter Druker “Culture eats Strategy for Breakfast” foi tão atual. Nosso desafio agora é criar e implementar as novas estruturas e modelos de gestão que entregarão com sucesso toda a complexidade que vivemos hoje!

*naturalmente esse artigo não é exaustivo em relação ao livro. Nosso objetivo foi provocar você uma inquietude com seu modelo de gestão.