To meat or not to meat?



Por: Rafaela Natal Trentin

Os consumidores estão mudando seus hábitos alimentares e buscando cada vez mais produtos que entreguem a saudabilidade como certeza. O movimento plant-based tem ganhado muitos adeptos de consumidores que buscam alcançar um estilo de vida equilibrado. Segundo o IBOPE (2018), no Brasil, 14% da população se declara vegetariana e, nas regiões metropolitanas de São Paulo, Curitiba, Recife e Rio de Janeiro este percentual sobe para 16%. Esses dados representam um crescimento de 75% em relação a 2012, quando a mesma pesquisa indicou que a proporção da população brasileira nas regiões metropolitanas que se declarava vegetariana era de 8%. Atualmente, esse número representa quase 30 milhões de brasileiros que se declaram adeptos a esta opção alimentar. Segundo levantamento da Euromonitor International, o mercado global de produtos veganos movimenta cerca de US$ 13,9 bilhões por ano.

A indústria e o varejo já reagem a este novo cenário, traduzindo os desejos atuais dos consumidores em novos produtos e experiências de compra. Porém, o maior acesso a informação faz com que os consumidores tenham maiores possibilidades de escolha e também um maior controle do que pretendem consumir, desafiando diariamente as indústrias e as operações de foodservice.

Este cenário insere novos valores na equação de conversão de compra e torna o consumidor cada vez mais complexo: mais negociador, sustentável, saudável, conectado e prático. Entender as preocupações, valores e hábitos do público-alvo passa a ser necessário para que indústria e varejo consigam se comunicar de maneira assertiva com seu público.

Inovar se torna um assunto decisivo para atrair novos consumidores, seja para não perder participação frente aos competidores ou
simplesmente para renovar seus produtos e aumentar as vendas de sua marca.

A ascenção da categoria de produtos veganos e vegetarianos demonstra esse reflexo da busca dos consumidores de proteínas alternativas à carne. De acordo com a pesquisa do Health Focus International, 17% dos consumidores dos EUA entre 15 e 70 anos de idade afirmam consumir uma dieta predominantemente baseada em vegetais, enquanto 60% relatam estar reduzindo os produtos à base de carne.

Ainda muito tímida, a oferta de produtos para os adeptos deste estilo devida podem alavancar receita no retail e foodservice. A indústria e o varejo têm buscado, cada vez mais, diversificar suas estratégias adquirindo novas marcas, reformulando produtos, lançando novos produtos para tentar atender a crescente demanda por esse tipo de solução.

Além dos itens mais comuns, como carne de soja, bebidas vegetais, tofu, cereais e vegetais, já podemos observar nas gôndolas dos supermercados e nos menus de restaurantes outras opções de produtos disponíveis, como por exemplo, os hambúrgueres plant-based, os “macarrões” de vegetais, os “arrozes” de couve flor e brócolis, recheios à base de fibra de jaca, suplementos à base de proteínas de ervilha, arroz e grão-de-bico dentre outras novidades.

Recentemente, a rede de fast food Burger King® anunciou que terá em seu cardápio dos restaurantes do Brasil um produto plant-based, oferecendo uma nova e diferenciada experiência para os consumidores. A partir do dia 10 de setembro, o novo sanduíche estará disponível em 58 restaurantes do Burger King® em São Paulo. O Rebel Whopper®, um hambúrguer à base de plantas que promete ter o mesmo sabor de um Whopper® tradicional. Redes como Spoleto, Lanchonete da Cidade, T.T. Burger entre outras também já lançaram seus produtos alternativos às proteínas animais.

Saúde, mudanças climáticas, bem-estar animal são os principais fatores que estão levando mais pessoas a adotarem um estilo de vida sem o consumo de carne. O mercado está sendo intensamente repensado, trazendo novas oportunidades de negócio e questionamentos por parte dos consumidores, que prezam pelo propósito em suas vidas e buscam mais sentido e relevância na forma como consomem.